O que é sintaxe? Entenda os termos da oração com exemplos

Quando estudamos uma frase em Língua Portuguesa, não basta conhecer o significado das palavras. Também é importante compreender como elas se organizam e que função sintáctica desempenham dentro da oração. É justamente esse o campo de estudo da sintaxe.

De forma simples, a sintaxe é a parte da gramática que estuda a organização das palavras e dos constituintes na frase e as relações que estabelecem entre si. Ela permite compreender, por exemplo, quem é o sujeito de uma oração, o que se declara sobre ele, quais termos completam o sentido de um verbo ou de um nome e quais termos acrescentam informações à oração.

Neste artigo, você vai entender o que é sintaxe, o que ela estuda, quais são os principais termos e funções sintácticas e como eles aparecem em frases do dia a dia.

O que é sintaxe?

A sintaxe é a parte da gramática que estuda a forma como as palavras e os grupos de palavras se combinam e se relacionam dentro da frase e da oração.

Observe:

O estudante resolveu o exercício.

Nessa oração, os seus constituintes desempenham diferentes funções sintácticas:

  • “O estudante” exerce a função de sujeito;
  • “resolveu o exercício” constitui o predicado;
  • “o exercício” exerce a função de complemento directo do verbo “resolveu”.

A análise sintáctica permite identificar essas funções e compreender as relações que existem entre os diferentes constituintes da oração.

O que a sintaxe estuda?

A sintaxe estuda diferentes aspectos da organização das frases e das orações. Entre eles estão:

  • a organização dos constituintes dentro da oração;
  • as funções sintácticas desempenhadas pelos constituintes;
  • as relações entre sujeito e predicado;
  • os complementos exigidos ou seleccionados por determinados verbos e nomes;
  • os termos que acrescentam informações ou características a outros constituintes;
  • a organização dos períodos simples e compostos;
  • as relações estabelecidas entre as orações de um período.

Por isso, estudar sintaxe ajuda a compreender não apenas o que uma frase diz, mas também como a frase está estruturada e que função desempenha cada um dos seus constituintes.

Qual é a diferença entre sintaxe e morfologia?

Sintaxe e morfologia estão relacionadas, mas estudam aspectos diferentes da língua.

A morfologia ocupa-se principalmente da estrutura, formação e classificação das palavras, enquanto a sintaxe analisa a forma como essas palavras se combinam e as funções que desempenham na oração.

Por exemplo, na oração:

O professor explicou a matéria.

A palavra “professor” é, do ponto de vista morfológico, um substantivo. Do ponto de vista sintáctico, o grupo nominal “O professor” exerce a função de sujeito.

Da mesma forma, “matéria” é um substantivo quanto à classe de palavra, mas, nessa oração, o grupo nominal “a matéria” exerce a função de complemento directo.

Assim, classe de palavra e função sintáctica não são a mesma coisa. Uma palavra pode pertencer a determinada classe gramatical e, numa oração concreta, desempenhar uma determinada função sintáctica.

Quais são os termos da oração?

Na abordagem tradicional da gramática, os termos da oração são normalmente organizados em três grupos:

  1. termos essenciais da oração;
  2. termos integrantes da oração;
  3. termos acessórios da oração.

Esta divisão é útil para organizar o estudo das principais funções sintácticas, embora nem todos os termos ocorram obrigatoriamente em todas as orações.

Termos essenciais da oração

Na classificação tradicional, os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado. É importante, contudo, lembrar que existem orações sem sujeito, nas quais não se identifica essa função sintáctica.

Sujeito

O sujeito é o constituinte com o qual o verbo estabelece concordância e sobre o qual se declara alguma coisa, nas estruturas em que existe sujeito.

Exemplo:

Os alunos estudaram para a prova.

Nessa oração, “Os alunos” é o sujeito e “estudaram para a prova” é o predicado.

Para compreender melhor este conceito, leia também o que é sujeito e como identificá-lo.

Predicado

O predicado é o constituinte da oração que contém aquilo que se declara acerca do sujeito. Nas orações sem sujeito, existe predicado, embora não exista um sujeito com o qual ele se relacione.

Exemplo:

A Maria comprou um livro.

Nessa oração:

  • “A Maria” é o sujeito;
  • “comprou um livro” é o predicado.

Para aprofundar este conceito, leia também o que é o predicado e como identificá-lo.

O estudo do sujeito e do predicado constitui uma das bases da análise sintáctica e facilita a compreensão das restantes funções sintácticas.

Termos integrantes da oração

Na terminologia tradicional, os termos integrantes da oração são aqueles que completam o sentido de determinados verbos ou nomes e estabelecem com eles relações sintácticas específicas.

Entre os principais estão:

  • complemento directo;
  • complemento indirecto;
  • complemento oblíquo;
  • complemento nominal;
  • agente da passiva.

Complemento directo

O complemento directo é o constituinte que completa o sentido de um verbo transitivo directo, normalmente sem ser introduzido por uma preposição exigida pelo verbo.

Exemplo:

O aluno leu o livro.

O grupo nominal “o livro” completa o sentido do verbo “leu” e exerce a função de complemento directo.

Complemento indirecto

O complemento indirecto é o constituinte que completa o sentido de determinados verbos e é, tipicamente, introduzido pela preposição a.

Exemplo:

A professora explicou a matéria aos alunos.

O grupo preposicional “aos alunos” exerce a função de complemento indirecto.

O complemento directo e o complemento indirecto serão estudados com maior profundidade nos próximos artigos deste cluster.

Complemento oblíquo

O complemento oblíquo é um constituinte exigido ou seleccionado por determinados verbos, podendo ser realizado por diferentes estruturas, frequentemente introduzidas por preposição ou constituídas por um advérbio.

Exemplo:

O João gosta de música.

A expressão “de música” completa o sentido do verbo “gosta” e exerce a função de complemento oblíquo.

Este complemento não deve ser confundido com o complemento indirecto, pois as duas funções sintácticas apresentam propriedades diferentes.

Complemento nominal

O complemento nominal é o constituinte que completa o sentido de um nome, como um substantivo, um adjectivo ou, em determinados casos, um advérbio, sendo geralmente introduzido por uma preposição.

Exemplo:

Tenho necessidade de ajuda.

A expressão “de ajuda” completa o sentido do nome “necessidade” e exerce a função de complemento nominal.

Para aprofundar esta questão, consulte também a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal.

Agente da passiva

O agente da passiva é o constituinte que, numa oração na voz passiva, identifica quem pratica a acção expressa pelo verbo.

Exemplo:

O trabalho foi realizado pelos estudantes.

A expressão “pelos estudantes” identifica quem realizou a acção e exerce a função de agente da passiva.

Termos acessórios da oração

Na terminologia tradicional, os termos acessórios da oração acrescentam informações ou características aos constituintes da oração, sem constituírem, em regra, os seus elementos centrais.

Entre os principais estão:

  • adjunto adnominal;
  • adjunto adverbial;
  • aposto.

Adjunto adnominal

O adjunto adnominal é o constituinte que acompanha um nome, geralmente um substantivo, para o determinar, especificar ou caracterizar.

Exemplo:

Os dois alunos dedicados participaram na actividade.

Na expressão “os dois alunos dedicados”, os termos “os”, “dois” e “dedicados” acompanham e determinam ou caracterizam o substantivo “alunos”, desempenhando funções de adjunto adnominal.

Adjunto adverbial

O adjunto adverbial é o constituinte que acrescenta uma circunstância à oração ou a um dos seus constituintes, podendo indicar, por exemplo, tempo, lugar, modo, causa, finalidade ou intensidade.

Exemplo:

Os alunos estudaram ontem.

A palavra “ontem” indica uma circunstância de tempo e exerce a função de adjunto adverbial.

O adjunto adverbial será desenvolvido posteriormente num artigo específico deste cluster.

Aposto

O aposto é um constituinte que explica, especifica, identifica, resume ou desenvolve o sentido de outro constituinte.

Exemplo:

Maputo, capital de Moçambique, é uma cidade importante.

A expressão “capital de Moçambique” acrescenta uma explicação sobre “Maputo” e exerce a função de aposto.

O que é o vocativo?

O vocativo é o constituinte utilizado para chamar, interpelar ou dirigir-se directamente a alguém.

Exemplo:

Maria, venha aqui, por favor.

Nessa frase, “Maria” é vocativo. O vocativo não desempenha a função de sujeito nem de complemento; a sua função é chamar ou interpelar o interlocutor.

Por isso, é importante não confundir vocativo e sujeito. Embora possam referir-se à mesma pessoa, desempenham funções sintácticas diferentes.

O aposto e o vocativo serão aprofundados posteriormente neste cluster.

Como identificar as funções sintácticas numa oração?

Para realizar uma análise sintáctica, é útil seguir uma sequência lógica. Não é necessário tentar classificar todas as palavras ao mesmo tempo.

  1. Identifique o verbo ou os verbos presentes na oração.
  2. Procure o sujeito, quando existir.
  3. Delimite o predicado.
  4. Observe se existem complementos associados ao verbo, como complemento directo, complemento indirecto ou complemento oblíquo.
  5. Verifique se existe algum complemento de um nome, como o complemento nominal.
  6. Procure constituintes que indiquem circunstâncias, como tempo, lugar, modo ou causa.
  7. Verifique se existem constituintes que acompanham ou caracterizam nomes, como os adjuntos adnominais.
  8. Procure termos que expliquem ou especifiquem outros constituintes, como o aposto.
  9. Verifique se existe vocativo, quando houver uma interpelação directa ao interlocutor.

Observe a oração:

Os estudantes fizeram o trabalho na biblioteca.

Uma análise inicial pode ser feita desta forma:

  • “fizeram” → verbo;
  • “Os estudantes” → sujeito;
  • “fizeram o trabalho na biblioteca” → predicado;
  • “o trabalho” → complemento directo;
  • “na biblioteca” → adjunto adverbial de lugar.

Assim, percebemos que uma mesma oração pode conter várias funções sintácticas relacionadas entre si.

Resumo dos principais termos da oração

Grupo Termos Função geral
Essenciais Sujeito e predicado Constituem a estrutura fundamental da oração na classificação tradicional.
Integrantes Complemento directo, complemento indirecto, complemento oblíquo, complemento nominal e agente da passiva Completam o sentido de determinados verbos ou nomes ou identificam o responsável pela acção na voz passiva.
Acessórios Adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto Acrescentam informações, características, circunstâncias ou explicações.

O vocativo tem uma função própria: serve para chamar ou interpelar o interlocutor e não se integra sintacticamente na oração da mesma forma que o sujeito, os complementos ou os adjuntos.

Por que é importante estudar sintaxe?

O estudo da sintaxe ajuda a compreender melhor a estrutura das frases e a relação entre os seus constituintes. Também é importante para interpretar textos, escrever com maior clareza e realizar análises gramaticais.

Além disso, muitos conteúdos de Língua Portuguesa dependem de conhecimentos sintácticos. Para distinguir um complemento directo de um complemento indirecto, por exemplo, é necessário compreender a relação estabelecida entre o verbo e os seus complementos. Da mesma forma, para diferenciar um adjunto adnominal de um complemento nominal, é necessário observar a função que cada constituinte desempenha e a relação que estabelece com o nome.

Por isso, a sintaxe não deve ser estudada apenas como uma lista de classificações. O mais importante é compreender como os constituintes se relacionam e que função desempenham na construção da oração e do seu sentido.

Conclusão

A sintaxe é a parte da gramática que estuda a organização das palavras e dos constituintes e as relações que estabelecem dentro da frase e da oração.

Entre as principais funções sintácticas estudadas encontram-se o sujeito, o predicado, o complemento directo, o complemento indirecto, o complemento oblíquo, o complemento nominal, o agente da passiva, o adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o aposto. O vocativo, por sua vez, é utilizado para chamar ou interpelar o interlocutor.

Compreender estas funções é fundamental para avançar no estudo da análise sintáctica. A partir desta visão geral, cada grupo pode ser estudado de forma mais aprofundada, com exemplos e estratégias próprias de identificação.

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